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Fiol: Dez minutos de leilão resolvem nove anos de obras paradas

Em tempos de pandemia, a tradicional batida do martelo no leilão é individual. Antes e depois de cada um fazer o tradicional gesto, a ferramenta de madeira que representa a definição de um vencedor é higienizada com álcool em gel. O natural sorriso de satisfação pelo resultado positivo é ocultado pelas máscaras de proteção. Mas sem dúvidas, Eduardo Ledsham, presidente da Bamin estava feliz quando bateu o martelo e concretizou a aquisição da Fiol 1, que vai de Caetité até Ilhéus.  

Num único lance, Bamin arrematou o trecho de 537 quilômetros da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) pela outorga mínima de R$ 32,73 milhões e deu um passo decisivo para a implantação de um dos maiores complexos de infraestrutura da história da Bahia. Além de ter conquistado o direito de concluir e administrar a primeira parte da ferrovia, a mineradora está construindo, junto com o governo da Bahia, o Porto Sul – que vai escoar a produção movimentada pela Fiol e receber produtos do mercado externo. 

Com a vitória a Bamin será responsável pela conclusão das obras – hoje 80% prontas – e operação do trecho. A concessão é de 35 anos, totalizando R$ 3,3 bilhões de investimentos. Desse total, R$ 1,6 bilhão será utilizado para a finalização do trecho. A expectativa é que o trecho leiloado e o Porto Sul entrem em operação juntos, em 2025. Além disso, a concessão vai permitir a criação de 55 mil empregos diretos, indiretos e efeito-renda ao longo da concessão.  Inicialmente, este complexo logístico vai movimentar 18 milhões de toneladas de carga, mas em 10 anos, deve mais que dobrar, superando os 50 milhões de toneladas.

O contrato prevê que a mineradora deverá pagar trimestralmente o equivalente a 3,43% da movimentação de carga, além do valor fixo de outorga. 

Foram necessários apenas 10 minutos para encerrar uma novela que se arrasta a quase duas décadas, relacionada a um sonho de integração entre o litoral e o Centro-Oeste brasileiro que remonta ao período da criação de Brasília. O leilão foi iniciado na B3, em São Paulo às 14:36 e pouco depois estava lá Eduardo Ledham, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas e outras autoridades já batendo o martelo. 

Para ele, o trecho consolida três fatores fundamentais para o desenvolvimento do Brasil: mineração, agropecuária e logística. “Este trecho é extremamente importante para diversas pessoas que acreditam neste desenvolvimento sustentável dos diversos setores da economia”, disse. “Os 20 municípios entre Caetité e Ilhéus podem ter a certeza de que vamos trabalhar duro para garantir a prosperidade e o sucesso”, garantiu. 

Quando tiver os seus três trechos concluídos, a ferrovia fará valer o “I” de integração em sua sigla e vai conectar o litoral baiano não apenas à região mineradora do Sudoeste estadual, mas também à produção de grãos no Oeste da Bahia e dos estados do Centro-Oeste, a partir de uma conexão com a Ferrovia de Integração Norte-Sul e com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico). Mas a  concessão do primeiro trecho já vai transformar a logística da Bahia e ampliar a participação ferroviária na matriz de transportes do Brasil. 

No primeiro momento, o projeto auxiliará o escoamento do minério de ferro produzido na região de Caetité e da produção de grãos e minério do Oeste da Bahia pelo Porto Sul. O ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas informou ontem mesmo que o governo vai requalificar a rodovia que liga Cocos a Carinhanha, facilitando o acesso rodoviário das cargas do Oeste ao porto seco que será instalado em Caetité. 

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, destacou os investimentos que estão sendo feitos no setor ferroviário no Brasil e garantiu que o governo federal já articula alternativas para viabilizar as licitações dos trechos II (entre Caetité e Barreiras) e III (entre Barreiras e Figueirópolis, em Tocantins). (OCORREIO)

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